Certa vez, fui chamado para realizar a cerimônia fúnebre de uma mulher, que era membro de uma família muito querida da minha igreja, na capital de São Paulo. Todos nós sabemos que este é um momento doloroso para familiares e amigos. Cheguei ao local, prestei minhas condolências aos principais da família e, postei-me em um canto daquela sala, não muito distante do caixão, aguardando o momento de ministrar uma palavra. Era uma distância suficiente para ouvir algumas manifestações de dor, geralmente em forma de questionamentos. Pude ouvir várias pessoas dizerem o “Por que Deus levou você?!”. Umas duas reclamaram: “Por que não eu, antes que você?!”. A citação que mais ouvi foi a que soa como um protesto pela incoerência da seleção que a morte faz e diziam que “Tanta gente ruim não morre e você tão boa se foi!”. E, por fim, essa eu ouvi apenas uma pessoa solicitar: “Me leva com você!!!”. Corajosa, não?!
Talvez, você esteja se perguntando o porquê estou relatando esse ocorrido, quando o assunto proposto é Salvação e Obras. O fato, é que após haver o corpo descido á sepultura naquele caixão e iniciando-se os passos da multidão, inclusive os meus, para sair do cemitério, alguns parentes e amigos da falecida buscando algum tipo de conforto espiritual perguntaram a mim se aquela mulher iria para um bom lugar. Trocando em miúdos, eles queriam que eu lhes dissesse ou afirmasse que ela estava salva ou, simplesmente, que tinha ido pro céu. Isto, porque todos que a conheciam, também reconheciam que ela foi uma mulher cheia de obras de caridade. Alguns, até diziam já saber a resposta acerca de para onde ela havia ido. Estes vaticinavam: “Ela era muito boa. Fazia boas obras. Ela merece o céu!”. Então, eu lhes disse: as boas obras apenas contribuem, mas não são a causa de alguém ser salvo! O que eu lhes respondi não agradou muito e, por que não dizer, chocou a alguns ali. Apenas as pessoas daquela família da minha igreja compreenderam minhas palavras, porque também sabiam a fonte de onde eu extraí aquela resposta: A Bíblia Sagrada.
Percebo em ocasiões como esta que a grande maioria das pessoas acredita em um Deus Criador Soberano e em Jesus Cristo como Filho de Deus. Mas, ao mesmo tempo não aceita ou reconhece a Bíblia Sagrada como a expressa regra de conduta para que se alcance a desejada Vida Eterna. Os motivos para essa rejeição ancoram na dúvida sobre os autores, as personagens e também, sobre acontecimentos que os métodos empíricos não conseguem explicar, desprezando o fato de estar lidando com ações de um ser Sobrenatural. Como resultado disso, o ser humano procura desenvolver seus próprios métodos de exercer espiritualidade no intuito de alcançar a “Salvação”. O “ser salvo pelas obras” é um destes.

