A Alegria de Dar
Vós pouco dais de vossas posses.
É quando derdes de vós próprio que realmente dais.
Pois, o que são as vossas posses, senão coisas que guardais com medo de precisardes delas amanhã?
Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para ser elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza seus presentes.
E há os que pouco têm e dão-no inteiramente.
Eles confiam na vida e na generosidade da vida e seus cofres nunca se esvaziam.
E há os que dão com alegria e essa alegria é sua recompensa.
E há os que dão com pena e essa pena é seu batismo.
E há os que dão sem sentir pena, nem buscar alegria e sem pensar na virtude: dão como, no vale, o mirto espalha a sua fragrância no espaço.
Pelas mãos de tais pessoas, Deus fala;
e através de seus olhos ele sorri para o mundo.
É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado,
por haver apenas compreendido.
E para os generosos, procurar quem receber
é uma alegria maior ainda que a de dar.
E existe alguma coisa que possais conservar?
Tudo o que possuis será um dia dado.
Dai, agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros.
Dizeis muitas vezes: "Eu daria somente a quem merece".
As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos.
Dão para continuar a viver. Pois reter é perecer...
Extraído de: O Profeta, de Gibran Khalil Gibran


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